Oratória

Como usar as emoções em sua oratória

Cecília Lima

9 de junho de 2020

Finalizei um trabalho de oratória individual dias atrás e uma das questões trazidas pela minha cliente foi: “Eu sou sorridente demais. Esse não é o perfil esperado para um gestor” (função desenhada por ela como próximo passo na carreira).

E essa não foi a primeira vez que notei pessoas acreditando que, durante apresentações corporativas ou colocações em reuniões, as emoções devem ficar do lado de fora.

“Não posso me emocionar na apresentação.”

“Racional é para a vida profissional e o emocional deve ficar na vida pessoal!”

Eu faço duas perguntas para você, caro orador:

Pergunta um: será possível separar?

Acredito que não! Somos seres integrados – corpo, mente, espírito, coração, respiração – e as emoções são parte de nós. Elas estão presentes em nós o tempo todo e decorrem de nossos pensamentos. Se você conseguir parar de pensar, talvez reduza bastante seu estado emocional – podemos ver isso em pessoas que praticam assiduamente a meditação – e, se você conseguir fazer isso com total sucesso ao realizar apresentações, por favor, me conte o segredo!

Pergunta dois: será necessário separar?

Tenho certeza de que não! A não ser que você queira deixar de lado a ferramenta mais importante para persuadir e influenciar as pessoas: a emoção!

Imagine comigo a seguinte possibilidade: você se empenha com paixão durante meses na elaboração de um projeto. Sonha, cria e contribui. Chega o momento de apresentar os resultados a outras pessoas da empresa para que o projeto seja aprovado e colocado em prática. Durante sua fala, você coloca em sua mente toda a emoção vivenciada durante a elaboração do projeto. Assim, seus olhos brilham, seus gestos são mais firmes e sua voz mais entonada e vibrante. O público se encanta com sua apresentação e as chances de acerto são grandes.

Agora pense em uma outra situação: você ficou encarregado de colocar as informações sobre os resultados de sua área na reunião mensal da empresa. Os resultados não foram positivos e você sente pesar por isso. No momento de sua fala, você decide deixar de lado esse pesar – pois acredita que emoções são para a vida pessoal – e sua expressividade, mesmo que coloque soluções para o problema, demonstra frieza e controle. O público não sente seu engajamento e comprometimento com a empresa e isso pode contribuir para uma distorção da sua imagem.

Características não verbais são percebidas pelo cérebro dos interlocutores e são responsáveis por grande parte do processo de conexão com o público e persuasão de um discurso. E as emoções são as melhores fontes de expressividade que todo orador pode ter em mãos. Elas tocam o coração. Quando utilizadas com moderação dentro de apresentações ou colocações profissionais, trazem vida e brilho ao conteúdo abordado e revelam informações que, muitas vezes, são relevantes e não precisam ser faladas.

Assim, da próxima vez que for apresentar, procure pensar sobre quais emoções sente em relação ao assunto abordado e procure trazê-las – dosando o que cabe dentro de cada situação – para sua voz, gestos, seu contato visual e perceba a diferença nos resultados que deseja obter, tanto para a conquista de um objetivo como para sua imagem.

Certamente, após ter compreendido que uma de suas maiores forças é seu entusiasmo e ter aprendido a transmitir esse entusiasmo com autenticidade e profissionalismo, a cliente citada no início deste texto conquistará muitos corações com seus objetivos, propósitos e sua marca pessoal.

Eu sou Cecília Lima, desperto e desenvolvo a excelência em pessoas para que se apresentem e se relacionem com confiança, autenticidade e clareza em todas as suas interações sociais e, assim, obtenham uma vida de conquistas, significado e realização.

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